quinta-feira, 5 de maio de 2011

Por quê, nos sentimos tão só quando cuidamos de paciente com Alzheimer?

Maior sentimento de solidão não há! Quando nos encontramos como cuidador; membro familiar de um ente querido com doença de Alzheimer.
Costumo dizer divertidamente para as pessoas que,  se quiserem se refugiar do mundo, para ter seu tempo de meditação,oração, reflexão...etc,  nada terá maior adesão de outros ( família, parente e amigos) ao seu projeto e nada será tão profícuo do que espalhar aos quatro ventos que possui um ente querido doente( se bem que,  por vezes nem precisamos espalhar - os outros o farão por nós).
A reação ao contar será :
1- piedade emocional , digo emocional porque não verá provavelmente intensão em  ação, de lhe auxiliar , exceto a de espalhar aos quatro ventos que você é um " coitado" por ter um ente querido doente. Ou que por vezes é um castigo ou um Karma.  E quando encontrar essas pessoas ela falará sempre - coitado(a), mas também nessa situação em que você se encontra, não é?
2- Repulsa camuflada e ou  imediata - principalmente se estiver a procura de emprego ou de algum curso que envolverá sua atenção ou sua presença, provavelmente este empregador ou orientador, não se interessará por você, pois, saberá que você poderá, não se desenvolver tão bem tendo na família um ente querido com D.A., terá que prestar socorro e estar disponível para isso.
3- Abandono Familiar - no começo os familiares explicarão suas ausências da seguinte forma:
- Não aparecemos e nem ligamos para não incomodar;
- outros dirão não  ter força o suficiente para ver a situação de dependência física, psíquica e emocional e que isso os levará  as lágrimas deixando-os tristes e para não ficarem tristes preferem nem visita-lo;
- Outros lhe dirão que não veem visitar porque o "ente querido" nem os reconhecem;
- E outros com extrema facilidade terão mais e mais desculpas., vida corrida, problemas em família, etc...

Na verdade o que pude perceber em oito anos acompanhando meu marido com esta doença é que as desculpas são as mais variadas  e até divertidas ( digo divertidas para não dizer tristes, pois a única coisa que não podemos ficar em nosso estágio de cuidador é triste, pois sabemos o quanto contagiamos o doente com o nosso nível de energia baixo - tristes, irritados -  falarei posteriormente sobre isso).
O que pude perceber é que estamos em um planeta onde a dor nos incomoda e não queremos vê-la, pois temos que viver o prazer em sua máxima expressão( hedonista) a dor não faz parte deste prazer. A dor nos faz lembrar que somos mortais, nos faz lembrar que precisamos do outro( dependo), que preciso parar na vida(em movimento) vez ou outra para refletir - no sentido real de minha existência , o que me rodeia,nossas condutas, nossos sentimentos do  "eu" e do "nosso"....não,.. com certeza não estão preparados para isso e não há interesse por saber do outro.
Se acham independente de qualquer ser,  pois,  o meu crescimento intelectual  profissional  e financeiro, que é a meta de quase todos indivíduos hoje, .. apenas depende dele próprio e ao se envolver com problemas que não são deles perdem seu tempo.
E para isso não envolve-los preferem um bom churrasco, bater papo com pessoas saudáveis, conversar sobre estética, status, poder, beber e beber até perceber um vazio de nome "depressão", mas,  que caso não passe com tudo isso que fazem( buscar o prazer em seu máximo de ócio e bate papo) procuram um psiquiatra para confirma-lhes a depressão a bipolaridade, ..... e com certeza salva-los com uns bons antidepressivos ou ansiolíticos, e continuarão a dormir na vida, quando acordarão? não sei!?
Vejam,  não condeno de forma nenhuma todos os "prazeres" que existem e que são importantes para os indivíduos ( e para tal precisamos saber o que realmente é prazer se é distinto por indivíduo) e apenas refiro-me a isso quando apenas conseguimos enxergar felicidade nestas condições (hedônica) e ignoramos todo o resto que também pode nós preencher e nos ensinar e por último até nos dar um prazer - " Prazer de ser útil a um outro e que por vezes me faz perceber que isso se faz útil a mim também, ao meu crescimento ao meu complemento humano".

domingo, 24 de abril de 2011

TROCANDO E REFLETINDO


Gostaria  de obter com o blog um novo espaço para  discussão e troca de informação e experiência com cuidadores considerando os seguintes fatores:
  •  Funcionalidade do domicílio em que cuidamos deste doente;
  •  Dificuldades na relação do cuidar;
  •  Divisão de tarefas entre os familiares de doentes de Alzheimer;
  •  Com quem normalmente fica a sobrecarga;
  •  Como lidar com a falta de apoio da família e de cuidadores mesmo remunerados;
  •  Como mobilizar a Área Médica Hospitalar para o preparo de profissionais conscientes no tratamento com este paciente;
  •  Como exigir do Serviço público em todos os setores a importância de desenvolvimento de programas para lidar com esta doença que atingirá em alguns anos quase metade da população.
  •  Como cuidar do cuidador, e quem é este cuidador , quais relações possui com a família e com o paciente?